Historia De Avelanoso
Povoação fronteiriça com Espanha, Avelanoso dista 14 Kms da sede de concelho.
Pouco se sabe do povoamento desta freguesia antes do século XII, dado que foi nesta época que começaram a surgir referências sobre a localidade da documentação escrita. No entanto, tanto a arqueologia como a toponímia, levam-nos a crer que existia vida humana em Avelanoso já nos tempos pré-históricos.
Integrada, desde aí, na terra de Miranda, que ascende a épocas romano-germânicas, embora tivesse outra denominação.
Nos primeiros documentos em que a freguesia é citada, aparecem as formas populares Avelanso, Avelaoso e Avelaõsa. Mais tarde, iriam surgir formas mais eruditas, como Avelana, que iria corromper-se em Avelanoso.
Refere a “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira”, no apêndice sobre Avelanoso, em relação ao topónimo principal desta freguesia: “O topónimo, estranho é à simples vista, ao idioma português, entra no número dos do velho mirandês falado, pela conservação do n - etomológico ou, a bem dizer, do próprio vocábulo latino Avellanosu, de que provém. Em português, ter-se-ia Avelanoso. Nas Inquirições de 1258 aparece sempre Avelanoso, o que pode levar a crer-se, à primeira vista, em tradução efectuada pelo notário das mesmas. Mas essa tradução, a ter de fazer-se, seria antes para o latim, Ave(l)anoso, o que faria aparecer a própria forma mirandesa, actual ainda”.
De resto, as influências que a língiua mirandesa teve no nome desta freguesia e, que é explicado de forma exemplar pela “Grande Enciclopédia”, não se resumiram ao topónimo Avelanoso. Como refere o mesmo texto, “vocábulos e topónimos portugueses e mirandeses se entremisturam nesta curiosa região linguística”. A proximidade de Miranda do Douro explica, estamos em crer, todo este fenómeno.
A primeira referência escrita sobre Avelanoso ocorre nas sobreditas Inquirições de D. Afonso III (1258). Através desse documento, podemos ver que o local tinha sido, em tempos, um “villar” velho (termo originário dos romanos e que significava uma unidade de exploração económica), despovoado durante as Invasões Muçulmanas e encontrado ermo aquando da Fundação da Nacionalidade. O povoamento da freguesia terá ocorrido nessa altura, por próceres bragançanos e, mais tarde, por fidalgos leoneses, já que, num período intermédio o território voltou a ser despovoado por razões desconhecidas.
Durante o reinado de D. Sancho II, os tais próceres bragançanos (filii Nuno Beiro (D. Nuno Veiro, filho do famoso D. Pedro Fernandes “de Bragança”) populaverunt villam de Aceloso in Miranda”, diz o texto das Inquirições “ doaram a povoação, por aí pouco desenvolvida, ao mosteiro de Moreirola, que era leonês. Proprietários de alguns terrenos em Avelanoso, eram também os frades do Mosteiro de Alcanozes, que auxiliaram na tarefa de repovoamento do local: “Fleires de Alcanizes populaverunt villam Avelaoso in Miranda in uno villar vetero”.
A Idade Média em Avelanoso foi, de resto, rica em acontecimentos relacionados com o seu povoamento. Em 1397, deu-se uma última fuga das populações locais, para terras mais seguras, dado que a localização da freguesia, junto à raia, não favorecia as suas condições de segurança. O novo repovoamento de Avelanoso ocorreu a partir de 1458, muitos anos depois da assinatura do Tratado de Paz entre Portugal e Castela.
Em termos paroquiais, Avelanoso foi instituida numa data que não se conhece ainda com exactidão, de qualquer modo, sempre numa altura posterior ao século XIV. Por volta de 1600, era uma abadia do Padroado Real, recebendo o abade da freguesia a quantia de duzentos mil reis, significava no contexto das Terras de Vimioso. Em termos administrativos, pertenceu ao concelho de Outeiro, até à data da sua extinção, 22 de Julho de 1853. Passou posteriormente para o de Vimioso.
A igreja paroquial de Avelanoso é um bem patrimonial que não deve ser desprezado. Pelo contrário, merece uma visita que deverá ser feita com muita atenção. Substituida por uma outra que existiu em data incerta no mesmo local, sofreu grandes obras de restauro, que em muito lhe modificaram a traça primitiva. Uma data que se encontra entre o púlpito e o retábulo do altar-mor, “
A capela-mor foi um dos elementos construídosno século XVIII. Com solo de cantaria lavrada, e tecto de madeira pintada, apresenta um belo retábulorocaille tardio que só terá sido ali colocado na centúria seguinte. Alguns elementos de grande interesse, por serem barrocos, odem ainda ser vistos na sacristia. Quanto à nave da igreja, é separada da capela-mor por um arco triunfal em forma de meio ponto. Do lado do Evangelho, pode ver-se um retábulo de talha barroca que invoca a figura de St.º António. O retábulo de N. Sr.ª da Saúde, próximo daquele, é também de grande interesse artístico.
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